A questão da moralidade na obra de Marx

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“A moral é a impotência posta em ação”.  Decifrar o caráter paradoxal dessa afirmação de Marx é o nosso objetivo neste livro. Trata-se de uma investigação das determinações de Karl Marx acerca da moralidade. Mais precisamente, interessa-nos sistematizar uma questão que surge apenas em largas pinceladas nos textos do autor, qual seja, a gênese, a significação social e a função dos conteúdos da esfera da moralidade, das noções, dos princípios e dos valores que orientam a vida prática dos indivíduos na totalidade da existência social.

O ponto de partida do livro é claro: não há por parte de Marx um tratamento normativo dos valores morais, que pudesse servir de fundamento para uma ética prescritiva, contudo isso não significa que o problema em si esteja ausente. Ao contrário, são vários os momentos das reflexões críticas de Marx em que é possível identificar referências claras a esse complexo problemático. No entanto, diferentemente do que é o usual, tais referências se fazem presentes no interior de análises mais amplas voltadas seja à crítica da filosofia idealista e à crítica da economia política, seja à crítica à própria sociabilidade que lhes deu origem. No primeiro caso, é fácil perceber as razões que levaram Marx não deixar desapercebidas a relevância e a presença de algum tipo de filosofia moral, por exemplo, entre os economistas clássicos como Adam Smith e John Stuart Mill e, no segundo, desde textos da década de 1840, como A ideologia alemã, são visíveis os traços que apontam para o complexo da determinação social do pensamento, em que as formações ideológicas – aí incluídos os valores morais – não possuem história independente em relação à sociabilidade e à vida cotidiana, em que os homens produzem e reproduzem seu modo de vida e a si mesmos. Vale ressaltar assim que os valores – entendidos a partir de sua gênese social – deixam de ser tematizados enquanto entidades puras e abstratas, capazes de modelar a ação econômica, ou então, no seu exato oposto, como meros reflexos subjetivos de mecanismos puramente econômicos, que ação humana não pode modificar.

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REF MOR Categoria

Descrição

“A moral é a impotência posta em ação”.  Decifrar o caráter paradoxal dessa afirmação de Marx é o nosso objetivo neste livro. Trata-se de uma investigação das determinações de Karl Marx acerca da moralidade. Mais precisamente, interessa-nos sistematizar uma questão que surge apenas em largas pinceladas nos textos do autor, qual seja, a gênese, a significação social e a função dos conteúdos da esfera da moralidade, das noções, dos princípios e dos valores que orientam a vida prática dos indivíduos na totalidade da existência social.

O ponto de partida do livro é claro: não há por parte de Marx um tratamento normativo dos valores morais, que pudesse servir de fundamento para uma ética prescritiva, contudo isso não significa que o problema em si esteja ausente. Ao contrário, são vários os momentos das reflexões críticas de Marx em que é possível identificar referências claras a esse complexo problemático. No entanto, diferentemente do que é o usual, tais referências se fazem presentes no interior de análises mais amplas voltadas seja à crítica da filosofia idealista e à crítica da economia política, seja à crítica à própria sociabilidade que lhes deu origem. No primeiro caso, é fácil perceber as razões que levaram Marx não deixar desapercebidas a relevância e a presença de algum tipo de filosofia moral, por exemplo, entre os economistas clássicos como Adam Smith e John Stuart Mill e, no segundo, desde textos da década de 1840, como A ideologia alemã, são visíveis os traços que apontam para o complexo da determinação social do pensamento, em que as formações ideológicas – aí incluídos os valores morais – não possuem história independente em relação à sociabilidade e à vida cotidiana, em que os homens produzem e reproduzem seu modo de vida e a si mesmos. Vale ressaltar assim que os valores – entendidos a partir de sua gênese social – deixam de ser tematizados enquanto entidades puras e abstratas, capazes de modelar a ação econômica, ou então, no seu exato oposto, como meros reflexos subjetivos de mecanismos puramente econômicos, que ação humana não pode modificar.


Ana Selva Albinati é professora do departamento de filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Doutora em filosofia pela UFMG, dedica-se ao estudo da obra de Marx e seus desdobramentos, tratando de temas relacionados à ética e à filosofia social. 

EDITORA: Instituto Caio Prado Jr.

234 páginas.

Informação adicional

Peso 0.360 kg
Dimensões 14 × 21 × 2 cm

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